Como ultrapassar a depressão ou o esgotamento?

É muito difícil ultrapassar uma depressão ou um esgotamento sem fazer exercício físico.

Parece uma frase feita, mas não é!

Analisando milhares de casos que passaram no meu consultório, chego à conclusão que o exercício físico é fundamental para o tratamento da ansiedade, depressão, burnout, insónias ou esgotamento.

Mesmo que esteja a fazer medicação com antidepressivos (naturais ou químicos), dificilmente vai conseguir ultrapassar esse problema sem fazer exercício físico. Isto é um ponto assente.

Mas porque é que isto acontece?

Segundo um estudo publicado na revista Brain, «Behavior and Immunity», existe uma percentagem de pessoas, 30 a 50%, em que os antidepressivos não funcionam. Os antidepressivos podem dar ao cérebro uma grande ajuda para recuperar, mas, sozinhos, os medicamentos não fazem milagres, é necessário mais.

Os medicamentos mais amplamente prescritos são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina. É uma classe de fármacos usados no tratamento das síndromes depressivas, transtornos de ansiedade e alguns tipos de transtorno de personalidade. Estes medicamentos bloqueiam a recaptação da mesma e assim, aumentam o nível de serotonina no cérebro. Contudo, o seu organismo pode não estar a produzir serotonina e outros neurotransmissores de uma forma adequada. Por esta razão, grande parte da população anda durante anos a tomar medicação sem ter melhorias significativas.

A prática regular de exercício físico ajuda a elevar os níveis de serotonina e endorfinas, hormonas diretamente relacionadas com a redução do stress e aumento da sensação de tranquilidade e bem-estar. 

Quais os benefícios da prática diária de exercício físico?

Estudos na universidade do Texas demonstraram que o exercício regular, durante aproximadamente 40 minutos por dia, ajuda a melhorar o humor, a reduzir a ansiedade e a tratar a depressão.

“A prática regular de exercício físico traz resultados positivos não somente no que concerne ao sono e aos seus possíveis distúrbios, mas também aos aspetos psicológicos e aos transtornos de humor, como a ansiedade e a depressão, e aos aspetos cognitivos, como a memória e a aprendizagem. O exercício físico provoca alterações fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, portanto, pode ser considerado uma intervenção não medicamentosa para o tratamento de distúrbios relacionados com os aspetos psicobiológicos.”

«O exercício físico e os aspetos psicobiológicos», Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte

Pense no seguinte: se o tratamento da depressão, ansiedade e stress, dependesse somente da ingestão de medicamentos, toda a gente estava curada.Na realidade, está a acontecer o oposto! Cada vez existem mais pessoas a ingerir fármacos para este problema e cada vez existem mais pessoas a sofrer deste problema. Contudo, este problema pode ser resolvido de maneira mais célere.

O tratamento de patologias do sistema nervoso depende de muitos outros fatores, para além do exercício físico, tais como:

  • A alimentação – Determinados alimentos ativam ou desativam determinadas enzimas que afetam diretamente a absorção e a produção de neurotransmissores;
  • A quantidade e o tipo de exercício físico que se pratica – Não é necessário fazer muito. É necessário fazer bem;
  • A falta ou excesso de determinadas vitaminas, sais minerais e outros nutrientes;
  • A microbiota intestinal – Está cientificamente comprovado que a predominância ou a ausência de determinadas bactérias no nosso intestino, está diretamente relacionado com alterações no sistema nervoso;
  • O estilo de vida / As amizades – Existem amizades que não nos aportam nada e ainda nos “sugam energia”, já sentiram isso de certeza;
  • A qualidade e a quantidade do sono e do descanso.

Estes são apenas alguns exemplos. Existem ainda outros fatores que podem ser relevantes no tratamento da depressão, ansiedade e stress. 

Uma caminhada por dia nem sabe o bem que lhe fazia!

Para algumas pessoas sair do estado depressivo e ansioso em que se encontram pode demorar meses ou anos. É necessário compreender que é possível acelerar o processo de recuperação.

Posto isso, quem é que vai, pelo menos, começar a caminhar uma hora por dia?

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